segunda-feira, 27 de abril de 2015

Você mulher, está satisfeita com sua vida sexual??



Sempre que as mulheres vêem alguma chamada do tipo, o que acabam descobrindo (decepcionadas) são géis e creminhos que esquentam, excitam, etc... Muitas mulheres se perguntam: porque não inventam um Viagra feminino? Se você leitora já se perguntou isso acredite: você não está sozinha. Algumas pesquisas indicam que de 50 a 70% das brasileiras tem dificuldades para chegar ao orgasmo ou nunca sentiu um - uma quantidade assustadora. Esse número pode ser ainda maior, pois muitas mulheres não tem coragem de dizer isso a ninguém, nem a seu ginecologista. Em comparação, uma campanha em 2002 trazia o Pelé como figura principal incentivando os homens com dificuldade de ereção a procurar ajuda médica e psicológica. Desde o lançamento do Viagra há mais de 10 anos, vários outros medicamentos surgiram fazendo concorrência direta ao pioneiro e com preços cada vez mais acessíveis. Mas para a mulher nada... Mas porque ninguém se preocupa com a assustadora taxa de anorgasmia feminina? Porque ninguém fala no assunto?

Simplesmente porque a capacidade reprodutiva e de dar prazer da mulher não se altera com a falta de orgasmo. Além disso, o prazer da mulher não é algo valorizado e a ciência não se interessa em resolver esse problema. Fora do Brasil existem sim opções de medicamentos que prometem um auxílio nesse sentido, como o Gold MAX, mas é tudo ainda muito obscuro e mal se fala no assunto, bem diferente da realidade masculina. Atualmente existe uma corrente de pesquisadores que trabalha com a utilização do Viagra masculino em mulheres, mas tudo ainda muito devagar.

É impressionante a quantidade de mulheres que nunca tiveram um orgasmo, ou que conseguiram poucas vezes na vida, e quase todas elas nunca contou isso a ninguém. Mas então o que será que acontece com as mulheres? O que se sabe é que a dificuldade de a mulher atingir o orgasmo durante a relação sexual tem origem na maioria dos casos em questões psicológicas e emocionais, sendo raríssimas as dificuldades físicas propriamente ditas.

No aspecto físico podemos citar fatores como o uso dos anticoncepcionais, antidepressivos, calmantes e outros medicamentos que diminuem a libido. Também estão nesta lista os vários períodos conturbados na questão hormonal feminina como, por exemplo, a menopausa e o período pós-parto. Mas esses fatores são exceções.

O verdadeiro centro da questão está no psicológico e no emocional da mulher. Vamos aqui conversar sobre vários fatores que podem causar esse problema.

Desde criança, a mulher é educada para encarar seu corpo como algo que não deve ser tocado nem explorado, sendo desencorajada e até punida. Já os meninos e própria cultura encaram a masturbação como algo normal do adolescente. É até mesmo esperado que o menino se “tranque no banheiro”, compre revistas de “Mulher Pelada”, fale sobre o assunto. É um tratamento totalmente oposto do que se daria a um menino flagrado se masturbando no banheiro do que a uma filha mocinha fazendo o mesmo. A maioria das mulheres não se toca, não se masturba, não consegue nem atingir o orgasmo sozinha, fica constrangida até mesmo consigo mesma, sozinha entre quatro paredes. Ai fica aquela coisa: “Se sou casada (ou namoro), não tenho necessidade disso” ou “Meu marido não pode saber que faço isso, o que ele iria pensar”? Como se masturbação fosse coisa de mulher sozinha e mal amada ou de quem não está satisfeita com o parceiro. Masturbação é apenas uma maneira de obter prazer com seu próprio corpo, se conhecer e relaxar. Coisa que os homens há séculos já entenderam, estão há anos-luz à frente das mulheres nesse quesito.

A preocupação com a estética corporal ou o medo de se expor durante o ato sexual também contribuem. A mulher é sempre ordenada a se cobrir, desde criança, e quando nua sente-se constrangida, exposta, vulnerável, sente a necessidade de se cobrir ou de apagar a luz.

Então aqui temos a primeira resposta: vergonha do próprio corpo e do próprio prazer. Você pode pensar: “Não é o meu caso, eu sou muito bem resolvida, não tenho problemas com isso”. Mas a pergunta é: quantas vezes você parou um tempinho pra curtir seu próprio corpo? Você nunca quis apagar a luz ou se cobrir?

E a questão vai mais além: se não consegue atingir o orgasmo sozinha, como vai saber direcionar a relação sexual para atingir seu objetivo? Algumas mulheres só conseguem em uma posição específica, outras somente com sexo oral, outras com as pernas fechadas, outras abertas... E a maioria nem sabe como consegue. É difícil mostrar o caminho das pedras se você nunca passou por ali sozinha.

O segundo problema que encontramos é que apesar de ser desencorajada a se tocar desde criança, de o assunto masturbação- prazer ser um tabu, ironicamente a mulher sente na pele a ditadura do “tenho que ter um orgasmo ou meu parceiro vai pensar que sou frígida”. É um mito dizer que TODAS as mulheres tem orgasmos em TODAS as relações sexuais, mas é o que a sociedade prega, os filmes mostram... O mito da mulher que sempre chega lá é uma inverdade. Primeiramente porque depende de questões emocionais e psicológicas envolvidas, segundo, pois a questão não é tão simples assim. O que ocorre é que desde o inicio do namoro a mulher se sente pressionada, quer passar uma boa imagem, “cansa” de tentar, tem medo que o parceiro se canse e acaba indo pelo caminho mais fácil: fingir pra acabar com aquela pressão, o que vai se repetindo em outras relações do casal. O que era pra ser prazeroso acaba sendo algo que se deseja que termine logo, tamanha a pressão que a mulher sente durante a relação e ela desiste de tentar. E depois que se começou fingindo, como dizer a verdade? Como desfazer isso? Chegamos a mais uma resposta: a ansiedade e a pressão por ter o orgasmo. É um ciclo vicioso – a ansiedade leva ao não orgasmo e o não orgasmo leva à ansiedade.

Outro grande mito: o de que a penetração é o principal componente do orgasmo feminino. A maioria dos homens (e acredite das mulheres) ignora o fato de que o grande centro do prazer sexual da mulher não é a vagina e sim o clitóris – que equivale ao pênis no homem. Sim, esse que aparece como um mero figurante na cena sexual na verdade é o ator principal. A quase totalidade das mulheres chega ao orgasmo SOMENTE com a estimulação do clitóris durante a relação sexual, mas muitas mulheres não o fazem, pois tem vergonha de o parceiro pensar: “Não estou sendo bom o suficiente?” E muitos pensam mesmo, o que é um erro.  Você pode nunca chegar lá, pois está indo pelo caminho errado, usando o órgão errado. Nossa sociedade elegeu o Falo (órgão masculino) como o principal componente do prazer feminino, sendo que na verdade o que dá prazer a cada ser humano está no seu próprio corpo, no caso da mulher o clitóris. Assim chegamos a mais uma questão: a desinformação e o preconceito que fazem com que a mulher não se conheça e que o homem também não entenda como o corpo da mulher funciona, e continue achando que somente a penetração é o suficiente. Outra série de questões como o tempo que a mulher necessita para atingir o clímax – que é maior do que o homem, ou até mesmo o fato de que a estimulação deve ser constante e sem interrupções são fatores desconhecidos pela maioria.

Enfim, leitoras não há um Viagra feminino e milagroso, mas o mais importante é que a mulher saiba que é possível ser diferente. E saiba que cada mulher não está sozinha, há milhões de mulheres passando pela mesma dificuldade. Não há nada de errado com essas mulheres, elas apenas precisam se conhecer mais e buscar ajuda. São séculos de repressão sexual, não é fácil quebrar esses tabus. Certa vez li uma frase brilhante: “o órgão sexual principal da mulher está na cabeça”, por isso o fator psicológico é tão importante.


Conversando sobre o assunto, dando uma passadinha na Sex Shop, lendo, informando-se e buscando ajuda, a mulher pode dar um passo adiante. Auxílio médico e psicológico ajudam a tornar a vida sexual mais rica, feliz e verdadeira.  O importante é não desistir e não se conformar com somente dar prazer, é necessário e saudável, é essencial ter prazer na relação sexual.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Amanda BBB 15 e a síndrome do Conto de fadas

“Ninguém acredita em contos de fadas, eu vou morrer acreditando. Esse foi o meu conto de fadas mesmo que todo errado, mesmo que eu seja toda errada. Eu descobri que existe amor e que a gente pode ser feliz então eu me doei, eu mais do que nunca me joguei aqui. Eu nunca acreditei em mim, eu nunca me dei valor e aqui eu aprendi que eu sou especial, que as pessoas gostam de mim e isso é uma vitória imensa”.



Essas foram as palavras de Amanda para defender sua permanência na casa, usadas durante o 1 minuto concedido pelo programa para tanto.
Tinha tudo pra ser realmente uma linda história de amor, um conto de fadas, não fosse por um pequeno grande detalhe: não há príncipe. A princesa, presa no alto do castelo, trancada na torre da baixa autoestima e da própria desvalorização, sonha sozinha... Quer desesperadamente a salvação vinda desse príncipe. Ou de qualquer outro.
Isso tudo nos parece muito familiar não é? Afinal de contas desde pequenas as meninas, através do caráter lúdico das histórias infantis, aprendem “valiosas” lições, dentre elas a principal: uma mulher PRECISA de um príncipe encantado para salvá-la e tudo só fica bem no final com a chegada do dito cujo.
Nesta edição do BBB 15, mesmo os que não acompanham o reality acabaram por se interessar pela historia de Amanda, Fernando e Aline na casa. O programa, apesar de não ser lá um “poço de cultura” nos fornece uma pequena amostra do mundo real, pois vemos espelhados nos participantes comportamentos comuns em nossa sociedade. É interessante para a psicologia utilizar dessas historias como ponto de partida para discussões. Eu, que não assistia ao programa, achei interessante acompanhar o desenrolar dessa novela mexicana e poder discutir sobre o assunto.
Vamos falar sobre Amanda. Uma mulher linda, interessante, divertida, inteligente... Mas que adentra ao confinamento com um grande dilema emocional: nunca ter ouvido “eu te amo”. Durante todo o programa, esse foi o grande trauma da participante, discutido e comentado por todos. E ela quer muito ouvir, ela chega a pedir a seu amado que o diga, ela o pede em namoro. Uma, duas, três, várias vezes até na mesma noite. Ela chora... Se desespera... Repreende a sim mesma. Sabe – e diz em alto e bom som – que está se humilhando, sente-se “burra” por estar fazendo esse papel. Mas depois retoma seu fôlego e seu comportamento.
Amanda diz mais de uma vez, para Fernando: "Pra quem nunca teve nada, isso é muito". Mas o que o rapaz a oferece? Fica claro para todos que assistiram que ele não corresponde minimamente ao sentimento dela.
Ao ver a família e os amigos da morena reunidos da final do programa, me pergunto se ela realmente nunca ouviu um “eu te amo”. Uma família tão afetuosa e amigos tão presentes devem em algum momento da vida dela, mesmo que na infância ter dito a tão esperada frase. E pode ter certeza que disseram. E várias vezes...
Mas não é isso que Amanda precisa, ela quer ouvir isso de um homem. Dessa frase, dessa atenção, depende toda sua auto estima, seu senso de valor próprio, seu sucesso como pessoa. Ela depende disso para ser feliz e sentir-se completa. Amanda assim como muitas mulheres sofre de um mal comum: a “síndrome do conto de fadas”. Não, não é uma doença catalogada no CID, é apenas um trocadilho meu, mas muita gente ao ler isso com certeza vai saber do que estou falando.
Esperar pelo príncipe encantado pode ser fofo e romântico, mas leva muitas mulheres à total falta de amor próprio e autoestima destruída. Focar sua vida, seus planos, seu futuro, suas decisões e seu destino no projeto “príncipe encantado” é a melhor maneira de se expor e se machucar com certeza.
Uma mulher que age dessa maneira tem quase que receita infalível para o coração partido. Carente e desejosa de afeto, aceita qualquer migalha que seus parceiros lhe oferecem. Dessa maneira fica fácil se iludir com alguém que não tem o mesmo sentimento por ela e sair machucada da história. E sentir-se menos amada, mais carente e com a autoestima mais baixa ainda. Exatamente a história de Amanda.
Ao dizer em seu discurso que nunca acreditou em si mesma e nunca se deu valor, Amanda resume exatamente o centro da questão.
A mulher que tem seus próprios objetivos de vida sejam eles profissionais, espirituais ou pessoais tende a depender menos da aprovação e do “eu te amo” do companheiro para ser completa. Ela sabe que seus sucessos e conquistas são o “eu te amo” que a vida lhe oferece. Ela sabe dizer “eu te amo” a si mesma quando não aceita migalhas em seus relacionamentos. Ela não depende do elogio de um homem para se achar linda. O homem dos sonhos é um complemento da vida, é alguém que vem para somar e não a razão da existência. Ela não precisa ser salva.
Dessa forma, naturalmente quando o “príncipe” aparecer ela vai poder relaxar e aproveitar, se valorizar nesse relacionamento, sentindo-se segura e não dependente dele para viver.
Se você ainda não consegue se amar dessa maneira não se sinta culpada. Você foi ensinada desde criança a esperar o príncipe encantado. Mas isso pode ser revertido... Diga “eu te amo” a si mesma hoje e comece a se transformar, uma das maneiras de fazer isso é através da terapia.
Milhares de mulheres vivem como Amanda. Buscando em cada relacionamento príncipe encantado, buscando sentir-se bem consigo mesma através do olhar e da aprovação do outro. E quando não conseguem, sentem-se perdedoras e insignificantes.

Amanda não saiu vencedora do BBB. Não ganhou um milhão e meio e nem o príncipe encantado no final. Somente será vencedora quando conseguir amar-se primeiro para que os outros possam amá-la por consequência e dessa forma tornar-se a princesa que tanto almeja ser.