quinta-feira, 11 de junho de 2015

Elogiar demais pode prejudicar as crianças

Gabriel é um menino esperto. Cresceu ouvindo isso.
Andou, leu e escreveu cedo.
Vai bem nos esportes.
É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.
“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.
Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.
-“Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.
Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.


A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.
Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.
Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.
A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.
Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.
Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.
Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.
Quando acabavam, alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).
Em uma segunda rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.
A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.
A maioria dos que foram elogiados como “esforçados” escolheu o desafio diferente.
Influenciados por apenas UMA frase.
O diagrama abaixo mostra bem as diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente. Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.

Por Wagner Brenner
Fonte: updateordie.com

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Capacitação em Escuta Terapêutica e Liderança Servidora

EVENTO GRATUITO! INSCRIÇÕES SE ENCERRAM HOJE!
Capacitação em Escuta Terapêutica e Liderança Servidora
CVV Francisca Julia
 
Acreditando firmemente que a fraternidade e o autoconhecimento são elementos fundamentais para a prevenção de transtornos mentais e sofrimento emocional, o CVV Francisca Júlia com o apoio do Programa de Parcerias Sociais do Instituto Embraer, convidam você para compartilhar conhecimentos e experiências no I Ciclo de Palestras sobre Escuta Terapêutica e Liderança Servidora. Serão várias oportunidade de datas para viabilizar sua participação. Esperamos você em todas!


 Escuta Terapêutica

 É um apoio emocional fundamentado no Programa CVV. É uma contribuição do CVV Francisca Júlia para comunidade em geral, como uma proposta de vida.

O Objetivo básico é levar a você, ouvinte amigo, subsídios para melhorar sua capacidade de escuta e de estabelecer bons relacionamentos interpessoais.

Liderança Servidora

 Em nossa vida não são raros os momentos que somos confrontados com situações, acontecimentos e relacionamentos que nos convidam à reflexão.

Serão temas como estes que nortearão esse ciclo de palestras na busca pela auto superação, e no compromisso inadiável de fazer o nosso melhor.
 
Calendário dos Encontros
 Todos os encontros acontecerão no Auditório Mário Covas da Câmara Municipal de São José dos Campos/SP, das 15:00 às 17:00 (exceto 24/08 que será o Simpósio de Reinserção Social).
29/05/2015 - Uma Proposta de Vida + Janela de Johari
26/06/2015 - A Janela da Alma (Exibição e Discussão sobre o filme)
31/07/2015 - A Sociedade Surda + Banco de Crenças
24/08/2015 - Especial 43 Anos Francisca Júlia - Simpósio de Reinserção Social - Das 9H às 17H
28/09/2015 - Comunicação Humana + Convivendo com as diferenças
26/10/2015 - Como comunicar ? + Pequenos Sacrifícios, Grandes Resultados
27/11/2015 - Vivendo uma Vida Plena + Nós e as Mudanças
18/12/2015 – Escuta, Liderança e Nossa Saúde Mental
 
SOLICITAMOS QUE FAÇA SUA INSCRIÇÃO PELO 39449090 RAMAL 253 OU E-MAIL:COORD.TECNICA@FRANCISCAJULIA.ORG.BR –  COM MICHELE ATÉ 20/05/2015
SUA PARTICIPAÇÃO É MUITO IMPORTANTE!
https://www.facebook.com/cvv.franciscajulia
http://www.cvv.org.br/site/francisca-julia.html

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A família e o Paciente Psiquiátrico (doente mental)


Todos nós, desde que nascemos passamos a maior parte do nosso tempo em família. Ela é essencial para que possamos ter uma sensação de pertencimento e acolhida diante das dificuldades que a vida nos oferece. O paciente portador de transtorno mental – seja ele qual for – precisa ainda mais da família do que as outras pessoas, dependendo dela para as atividades diárias, o que de certa forma acaba por desgastar o bom convívio entre os membros da família.
A doença mental geralmente interfere nas relações familiares, gerando raiva, sentimentos de impotência, frustração, desgaste físico e emocional, cansaço, medo, agressividade, dentre outros. É preciso levar em consideração que muitas vezes a família toda pode vir a adoecer junto com o paciente, tamanho o desgaste e o cansaço.

Quando recebe o diagnóstico, a família pode ser acometida por sentimentos de negação da doença, relutando em aderir ao tratamento, buscando soluções mágicas, ou acreditando que se não derem importância àquilo os sintomas vão “desaparecer” sozinhos. Outro comportamento comum é a culpabilização de si mesmo ou de terceiros pelo transtorno que acomete o paciente. Seja um problema na gravidez, seja genético, seja fruto de “erro na criação”, seja trauma de infância – a família busca o “culpado” pelo transtorno. Sentimentos como raiva ou superproteção em relação ao paciente também são comuns.


Com o passar do tempo, a família tenta se ajustar ao convívio com o familiar que não é mais visto como o filho, pai, ou irmão: é visto como “o doente”. Ele “encarna” a doença e a família passa a enxergar apenas os sintomas que ele apresenta e não mais o familiar amoroso e querido.
Alguns padrões de comportamento da família também emergem no convívio com os portadores de transtornos mentais e podem interferir diretamente no estado do paciente:

Permissividade: A família acredita que por o parente ser “doente”, não podem ser contrariado, não podem discordar dele em nenhum momento, e ceder a todos os seus desejos. Há casos de pacientes que fumavam 90 cigarros por dia, pois a família acredita que deva concordar com todas as suas vontades e atendê-las.

Agressividade: A família está tão cansada que passar a se tornar agressiva e hostil com o paciente, com discussões e gritos que podem evoluir para agressões físicas de ambas as partes.
Alto nível de exigência: A família se torna excessivamente exigente quanto aos comportamentos e sintomas que o paciente muitas vezes não consegue controlar. Podem vir a cobrar dele uma normalidade acima do comum. É curioso verificar que a família fica tão afetada pelo transtorno, que comportamentos do paciente que seriam considerados “normais” para todas as pessoas, são considerados sintomas de crise ou surto, como fazer amizade no ônibus ou ficar nervoso ao perder um objeto.


Anulação do cuidador: Muitas vezes a família ou alguns membros mais próximos ao paciente por falta de organização ou condições – acaba por se auto anular. Vive para cuidar do familiar,  negligenciando todos os outros aspectos da sua vida, o que pode levar à depressão ou outras formas de adoecimento psíquico. Isso também é prejudicial, pois deixam transparecer ao paciente seu cansaço, frustração, parecendo que o paciente é um estorvo, o que pode gerar fugas e comportamentos agressivos no paciente. Ter uma atividade física, participar de grupos de caminhada, “academia ao ar livre”, fazer uma boa leitura, enfim, ter um tempo para si, São maneiras de prevenir o adoecimento da família e dos cuidadores. Buscar atividades de lazer que incluam os pacientes também melhora o ambiente familiar e reaproxima a família. Procurar apoio em grupos de família também pode ser uma ferramenta poderosa, compartilhando as angustias e frustrações com familiares de outros pacientes.


O hospital Francisca Julia oferece semanalmente aos familiares dos pacientes internados no hospital o “Encontro de família”. Esses encontros são coordenados pelo corpo técnico do hospital, sendo que cada semana um setor conversa com as famílias sanando duvidas e orientando quanto as especificidades de sua área. São os Psicólogos, a assistente social, terapeutas ocupacionais e enfermeiras do hospital. Nas reuniões são fornecidos esclarecimentos a respeito da doença, orientações sobre como proceder, sobre os medicamentos e o funcionamento do hospital. Também é trabalhado o aspecto emocional e psíquico dos familiares. 

Buscar informações a respeito do transtorno mental do seu familiar é essencial, pois favorece o entendimento dos comportamentos (sintomas) do paciente e, além disso, melhora o ambiente familiar. 

Priscila Mathias
Psicóloga Hospital Psiquiátrico CVV Francisca Júlia
CRP 06/118786


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Você mulher, está satisfeita com sua vida sexual??



Sempre que as mulheres vêem alguma chamada do tipo, o que acabam descobrindo (decepcionadas) são géis e creminhos que esquentam, excitam, etc... Muitas mulheres se perguntam: porque não inventam um Viagra feminino? Se você leitora já se perguntou isso acredite: você não está sozinha. Algumas pesquisas indicam que de 50 a 70% das brasileiras tem dificuldades para chegar ao orgasmo ou nunca sentiu um - uma quantidade assustadora. Esse número pode ser ainda maior, pois muitas mulheres não tem coragem de dizer isso a ninguém, nem a seu ginecologista. Em comparação, uma campanha em 2002 trazia o Pelé como figura principal incentivando os homens com dificuldade de ereção a procurar ajuda médica e psicológica. Desde o lançamento do Viagra há mais de 10 anos, vários outros medicamentos surgiram fazendo concorrência direta ao pioneiro e com preços cada vez mais acessíveis. Mas para a mulher nada... Mas porque ninguém se preocupa com a assustadora taxa de anorgasmia feminina? Porque ninguém fala no assunto?

Simplesmente porque a capacidade reprodutiva e de dar prazer da mulher não se altera com a falta de orgasmo. Além disso, o prazer da mulher não é algo valorizado e a ciência não se interessa em resolver esse problema. Fora do Brasil existem sim opções de medicamentos que prometem um auxílio nesse sentido, como o Gold MAX, mas é tudo ainda muito obscuro e mal se fala no assunto, bem diferente da realidade masculina. Atualmente existe uma corrente de pesquisadores que trabalha com a utilização do Viagra masculino em mulheres, mas tudo ainda muito devagar.

É impressionante a quantidade de mulheres que nunca tiveram um orgasmo, ou que conseguiram poucas vezes na vida, e quase todas elas nunca contou isso a ninguém. Mas então o que será que acontece com as mulheres? O que se sabe é que a dificuldade de a mulher atingir o orgasmo durante a relação sexual tem origem na maioria dos casos em questões psicológicas e emocionais, sendo raríssimas as dificuldades físicas propriamente ditas.

No aspecto físico podemos citar fatores como o uso dos anticoncepcionais, antidepressivos, calmantes e outros medicamentos que diminuem a libido. Também estão nesta lista os vários períodos conturbados na questão hormonal feminina como, por exemplo, a menopausa e o período pós-parto. Mas esses fatores são exceções.

O verdadeiro centro da questão está no psicológico e no emocional da mulher. Vamos aqui conversar sobre vários fatores que podem causar esse problema.

Desde criança, a mulher é educada para encarar seu corpo como algo que não deve ser tocado nem explorado, sendo desencorajada e até punida. Já os meninos e própria cultura encaram a masturbação como algo normal do adolescente. É até mesmo esperado que o menino se “tranque no banheiro”, compre revistas de “Mulher Pelada”, fale sobre o assunto. É um tratamento totalmente oposto do que se daria a um menino flagrado se masturbando no banheiro do que a uma filha mocinha fazendo o mesmo. A maioria das mulheres não se toca, não se masturba, não consegue nem atingir o orgasmo sozinha, fica constrangida até mesmo consigo mesma, sozinha entre quatro paredes. Ai fica aquela coisa: “Se sou casada (ou namoro), não tenho necessidade disso” ou “Meu marido não pode saber que faço isso, o que ele iria pensar”? Como se masturbação fosse coisa de mulher sozinha e mal amada ou de quem não está satisfeita com o parceiro. Masturbação é apenas uma maneira de obter prazer com seu próprio corpo, se conhecer e relaxar. Coisa que os homens há séculos já entenderam, estão há anos-luz à frente das mulheres nesse quesito.

A preocupação com a estética corporal ou o medo de se expor durante o ato sexual também contribuem. A mulher é sempre ordenada a se cobrir, desde criança, e quando nua sente-se constrangida, exposta, vulnerável, sente a necessidade de se cobrir ou de apagar a luz.

Então aqui temos a primeira resposta: vergonha do próprio corpo e do próprio prazer. Você pode pensar: “Não é o meu caso, eu sou muito bem resolvida, não tenho problemas com isso”. Mas a pergunta é: quantas vezes você parou um tempinho pra curtir seu próprio corpo? Você nunca quis apagar a luz ou se cobrir?

E a questão vai mais além: se não consegue atingir o orgasmo sozinha, como vai saber direcionar a relação sexual para atingir seu objetivo? Algumas mulheres só conseguem em uma posição específica, outras somente com sexo oral, outras com as pernas fechadas, outras abertas... E a maioria nem sabe como consegue. É difícil mostrar o caminho das pedras se você nunca passou por ali sozinha.

O segundo problema que encontramos é que apesar de ser desencorajada a se tocar desde criança, de o assunto masturbação- prazer ser um tabu, ironicamente a mulher sente na pele a ditadura do “tenho que ter um orgasmo ou meu parceiro vai pensar que sou frígida”. É um mito dizer que TODAS as mulheres tem orgasmos em TODAS as relações sexuais, mas é o que a sociedade prega, os filmes mostram... O mito da mulher que sempre chega lá é uma inverdade. Primeiramente porque depende de questões emocionais e psicológicas envolvidas, segundo, pois a questão não é tão simples assim. O que ocorre é que desde o inicio do namoro a mulher se sente pressionada, quer passar uma boa imagem, “cansa” de tentar, tem medo que o parceiro se canse e acaba indo pelo caminho mais fácil: fingir pra acabar com aquela pressão, o que vai se repetindo em outras relações do casal. O que era pra ser prazeroso acaba sendo algo que se deseja que termine logo, tamanha a pressão que a mulher sente durante a relação e ela desiste de tentar. E depois que se começou fingindo, como dizer a verdade? Como desfazer isso? Chegamos a mais uma resposta: a ansiedade e a pressão por ter o orgasmo. É um ciclo vicioso – a ansiedade leva ao não orgasmo e o não orgasmo leva à ansiedade.

Outro grande mito: o de que a penetração é o principal componente do orgasmo feminino. A maioria dos homens (e acredite das mulheres) ignora o fato de que o grande centro do prazer sexual da mulher não é a vagina e sim o clitóris – que equivale ao pênis no homem. Sim, esse que aparece como um mero figurante na cena sexual na verdade é o ator principal. A quase totalidade das mulheres chega ao orgasmo SOMENTE com a estimulação do clitóris durante a relação sexual, mas muitas mulheres não o fazem, pois tem vergonha de o parceiro pensar: “Não estou sendo bom o suficiente?” E muitos pensam mesmo, o que é um erro.  Você pode nunca chegar lá, pois está indo pelo caminho errado, usando o órgão errado. Nossa sociedade elegeu o Falo (órgão masculino) como o principal componente do prazer feminino, sendo que na verdade o que dá prazer a cada ser humano está no seu próprio corpo, no caso da mulher o clitóris. Assim chegamos a mais uma questão: a desinformação e o preconceito que fazem com que a mulher não se conheça e que o homem também não entenda como o corpo da mulher funciona, e continue achando que somente a penetração é o suficiente. Outra série de questões como o tempo que a mulher necessita para atingir o clímax – que é maior do que o homem, ou até mesmo o fato de que a estimulação deve ser constante e sem interrupções são fatores desconhecidos pela maioria.

Enfim, leitoras não há um Viagra feminino e milagroso, mas o mais importante é que a mulher saiba que é possível ser diferente. E saiba que cada mulher não está sozinha, há milhões de mulheres passando pela mesma dificuldade. Não há nada de errado com essas mulheres, elas apenas precisam se conhecer mais e buscar ajuda. São séculos de repressão sexual, não é fácil quebrar esses tabus. Certa vez li uma frase brilhante: “o órgão sexual principal da mulher está na cabeça”, por isso o fator psicológico é tão importante.


Conversando sobre o assunto, dando uma passadinha na Sex Shop, lendo, informando-se e buscando ajuda, a mulher pode dar um passo adiante. Auxílio médico e psicológico ajudam a tornar a vida sexual mais rica, feliz e verdadeira.  O importante é não desistir e não se conformar com somente dar prazer, é necessário e saudável, é essencial ter prazer na relação sexual.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Amanda BBB 15 e a síndrome do Conto de fadas

“Ninguém acredita em contos de fadas, eu vou morrer acreditando. Esse foi o meu conto de fadas mesmo que todo errado, mesmo que eu seja toda errada. Eu descobri que existe amor e que a gente pode ser feliz então eu me doei, eu mais do que nunca me joguei aqui. Eu nunca acreditei em mim, eu nunca me dei valor e aqui eu aprendi que eu sou especial, que as pessoas gostam de mim e isso é uma vitória imensa”.



Essas foram as palavras de Amanda para defender sua permanência na casa, usadas durante o 1 minuto concedido pelo programa para tanto.
Tinha tudo pra ser realmente uma linda história de amor, um conto de fadas, não fosse por um pequeno grande detalhe: não há príncipe. A princesa, presa no alto do castelo, trancada na torre da baixa autoestima e da própria desvalorização, sonha sozinha... Quer desesperadamente a salvação vinda desse príncipe. Ou de qualquer outro.
Isso tudo nos parece muito familiar não é? Afinal de contas desde pequenas as meninas, através do caráter lúdico das histórias infantis, aprendem “valiosas” lições, dentre elas a principal: uma mulher PRECISA de um príncipe encantado para salvá-la e tudo só fica bem no final com a chegada do dito cujo.
Nesta edição do BBB 15, mesmo os que não acompanham o reality acabaram por se interessar pela historia de Amanda, Fernando e Aline na casa. O programa, apesar de não ser lá um “poço de cultura” nos fornece uma pequena amostra do mundo real, pois vemos espelhados nos participantes comportamentos comuns em nossa sociedade. É interessante para a psicologia utilizar dessas historias como ponto de partida para discussões. Eu, que não assistia ao programa, achei interessante acompanhar o desenrolar dessa novela mexicana e poder discutir sobre o assunto.
Vamos falar sobre Amanda. Uma mulher linda, interessante, divertida, inteligente... Mas que adentra ao confinamento com um grande dilema emocional: nunca ter ouvido “eu te amo”. Durante todo o programa, esse foi o grande trauma da participante, discutido e comentado por todos. E ela quer muito ouvir, ela chega a pedir a seu amado que o diga, ela o pede em namoro. Uma, duas, três, várias vezes até na mesma noite. Ela chora... Se desespera... Repreende a sim mesma. Sabe – e diz em alto e bom som – que está se humilhando, sente-se “burra” por estar fazendo esse papel. Mas depois retoma seu fôlego e seu comportamento.
Amanda diz mais de uma vez, para Fernando: "Pra quem nunca teve nada, isso é muito". Mas o que o rapaz a oferece? Fica claro para todos que assistiram que ele não corresponde minimamente ao sentimento dela.
Ao ver a família e os amigos da morena reunidos da final do programa, me pergunto se ela realmente nunca ouviu um “eu te amo”. Uma família tão afetuosa e amigos tão presentes devem em algum momento da vida dela, mesmo que na infância ter dito a tão esperada frase. E pode ter certeza que disseram. E várias vezes...
Mas não é isso que Amanda precisa, ela quer ouvir isso de um homem. Dessa frase, dessa atenção, depende toda sua auto estima, seu senso de valor próprio, seu sucesso como pessoa. Ela depende disso para ser feliz e sentir-se completa. Amanda assim como muitas mulheres sofre de um mal comum: a “síndrome do conto de fadas”. Não, não é uma doença catalogada no CID, é apenas um trocadilho meu, mas muita gente ao ler isso com certeza vai saber do que estou falando.
Esperar pelo príncipe encantado pode ser fofo e romântico, mas leva muitas mulheres à total falta de amor próprio e autoestima destruída. Focar sua vida, seus planos, seu futuro, suas decisões e seu destino no projeto “príncipe encantado” é a melhor maneira de se expor e se machucar com certeza.
Uma mulher que age dessa maneira tem quase que receita infalível para o coração partido. Carente e desejosa de afeto, aceita qualquer migalha que seus parceiros lhe oferecem. Dessa maneira fica fácil se iludir com alguém que não tem o mesmo sentimento por ela e sair machucada da história. E sentir-se menos amada, mais carente e com a autoestima mais baixa ainda. Exatamente a história de Amanda.
Ao dizer em seu discurso que nunca acreditou em si mesma e nunca se deu valor, Amanda resume exatamente o centro da questão.
A mulher que tem seus próprios objetivos de vida sejam eles profissionais, espirituais ou pessoais tende a depender menos da aprovação e do “eu te amo” do companheiro para ser completa. Ela sabe que seus sucessos e conquistas são o “eu te amo” que a vida lhe oferece. Ela sabe dizer “eu te amo” a si mesma quando não aceita migalhas em seus relacionamentos. Ela não depende do elogio de um homem para se achar linda. O homem dos sonhos é um complemento da vida, é alguém que vem para somar e não a razão da existência. Ela não precisa ser salva.
Dessa forma, naturalmente quando o “príncipe” aparecer ela vai poder relaxar e aproveitar, se valorizar nesse relacionamento, sentindo-se segura e não dependente dele para viver.
Se você ainda não consegue se amar dessa maneira não se sinta culpada. Você foi ensinada desde criança a esperar o príncipe encantado. Mas isso pode ser revertido... Diga “eu te amo” a si mesma hoje e comece a se transformar, uma das maneiras de fazer isso é através da terapia.
Milhares de mulheres vivem como Amanda. Buscando em cada relacionamento príncipe encantado, buscando sentir-se bem consigo mesma através do olhar e da aprovação do outro. E quando não conseguem, sentem-se perdedoras e insignificantes.

Amanda não saiu vencedora do BBB. Não ganhou um milhão e meio e nem o príncipe encantado no final. Somente será vencedora quando conseguir amar-se primeiro para que os outros possam amá-la por consequência e dessa forma tornar-se a princesa que tanto almeja ser.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Fiu Fiu... Assédio ou cantada? O lado da mulher.


Ocorre há algum tempo na Internet a campanha “Chega de fiufiu”, que percorre redes sociais e tem seu principal exponente o site http://chegadefiufiu.com.br/
Cresce nas cidades as academias só para mulheres, onde a principal vantagem é poder se exercitar à vontade, vestindo roupas confortáveis e em posições que geralmente nós mulheres tememos ficar por conta do assédio – seja ele direto ou aquela “secada” enquanto você malha o bumbum. Diante de tudo isso, comecei a refletir sobre o assunto, e pesquisando fiquei estarrecida.
Em pesquisa realizada 7762 mulheres brasileiras, a jornalista Karin Hueck mapeou dados que na verdade todas nós mulheres já sabemos. Segundo a pesquisa, 99,6% das mulheres participantes afirmaram terem sido assediadas, e isso ocorre em todos os lugares: na rua, no transporte público, na balada, no trabalho, em parques, shoppings e cinemas.
A pesquisa da escritora vai mais além e revela dados assustadores:
·         83% das mulheres não gostam de receber cantadas, não acham algo legal (só os homens não se dão conta disso)
·         81% das mulheres já deixaram de fazer alguma coisa – ir a algum lugar, passar na frente de uma obra, sair a pé, sair à noite – por medo do assédio. Você já passou por isso?
·         90% já trocaram de roupa – mesmo com calor, por exemplo - por medo do assédio.
·         Apenas 27% respondem aos assédios que ouve na rua contra 73% que escutam caladas, mesmo não gostando. Das que disseram não às cantadas de alguém, 68% foram xingadas, com ofensas que variam de “metida”, “baranga”, “gorda”, “feia”, “mal comida” dentre outras.
·         86% das mulheres foram assediadas na balada, sendo que 82% das mulheres já foram agarradas a força. Quando questionadas como foi (poderia escolher mais de uma opção) as respostas variam de “puxada pelo cabelo” (sim, acredite!), pela cintura, pelo braço, dentre outras.
·         85% das mulheres responderam sim à pergunta: “Já passaram a mão em você?”. As respostas (poderia escolher mais de uma opção) são revoltantes: 17% peitos, 73% bunda, 46% cintura, 14% no meio das pernas (órgãos genitais).
Parece algo muito distante, mas se você parar para pensar, com certeza, vai ver que se encaixa nessas estatísticas. Eu mesma já passei por todas elas: desde as cantadas horríveis na rua, ser agarrada – inclusive no meio da rua saindo da missa, ser assediada na balada, ser vítima da “passada de mão em shows e carnaval”, levar cantada de cliente, de colega, ser seguida por um homem em um carro quando voltava da faculdade, etc...
Moro ao lado de um depósito de móveis, com entrada e saída de caminhões, carregadores, e vários homens ficam na porta durante todo o dia, esperando para descarregar. Entrar e sair da minha casa estava virando um verdadeiro pesadelo, pois todos os dias uma plateia me aguardava descer do carro e ficava encarando e mexendo. Tinha desgosto em pensar em sair de casa – além do medo de sair sozinha às 6:20 da manhã ou chegar em casa e ser atacada. Isso mesmo: ser atacada.
Em um Reveillon em Caraguatatuba, na praia esperando os fogos, praia lotada de pessoas, eu e minhas amigas tivemos que passar por um grupo grande de homens e as barbaridades que ouvimos foram tantas... Os homens pegando as meninas pelo cabelo e pelo braço, vindo pra cima tentando beijar... Aquilo tudo foi tão amedrontador que acabamos indo embora da praia. Sentimos MEDO daqueles homens.
Ao parar em um posto de gasolina cheio de homens e abastecer com o cartão, o meu primeiro pensamento é: Tomara que a máquina de cartão venha até aqui. Porque sair do carro é horrível, só os olhares já ofendem.
Todas sabemos que o que as mulheres sentem nessas situações não é simpatia e interesse pelos homens – é medo!
Um bom exemplo que podemos dar para que os homens entendam isso é a seguinte situação: Você está andando sozinho por uma rua deserta e se depara com um desconhecido com “cara” de suspeito vindo em sua direção. O homem pensa: “Ai meu Deus... Por favor, não roube meu celular” e a mulher pensa ” Ai meu Deus... Por favor, não me agarre, não me estupre!”
Quando repreendidos pelas cantadas, o principal argumento dos homens é “as mulheres gostam”, que é um elogio, de que eles não se ofenderiam se uma mulher os cantasse e outras coisas do tipo. E o pior é que algumas mulheres – inclusive celebridades – dizem gostar de receber cantadas, pois precisam passar em frente a uma obra para “melhorar a autoestima”. Acredito que as (pouquíssimas) mulheres que assim pensam na verdade precisam procurar ajuda psicológica para trabalhar a própria autoestima. Porque se sua autoestima depender da opinião de um estranho na rua, com certeza algo está errado.


Mas será que um homem quando assedia uma mulher em locais públicos, por exemplo, acredita que ela vai voltar e dizer: “Ok lindão, me dá seu telefone?” Ou “Vamos tomar um chopp?” Claro que não. O assédio ocorre em lugares como ponto de ônibus, as ruas, o trabalho ou a faculdade, por onde as pessoas transitam para as mais diversas finalidades, muitas vezes com pressa para chegar a outro local. Muitas vezes o homem está dentro do carro! Homens que chamam mulheres de “gostosa” no meio de uma avenida movimentada certamente não esperam que elas parem.
O que ocorre é que a cantada é algo que o homem se sente no direito de emitir. O tal “elogio” é um julgamento do corpo feminino, o homem faz isso para intimidar, é uma demonstração de poder. Questionados, os próprios rapazes dizem que é para “zuar”, a maioria se diverte com a cara de medo e vergonha das mulheres, principalmente quando estão em grupo e a mulher está sozinha. E se a resposta for negativa então: xingam aos berros e até agridem a mulher – acredite eu já vi isso acontecer. Cantada na rua não é paquera, é intimidação.
E mesmo na balada, paquerando alguém: um homem que tem a coragem de puxar uma mulher pelo cabelo, de tentar beijar à força ou passar a mão em uma garota com certeza é capaz de estabelecer um papo interessante ou simplesmente comentar sobre a banda que está tocando, pedir o facebook...
Para as mulheres que lêem essa reportagem, acessem o site da campanha Chega de fiufiu e dêem uma olhada na sessão de depoimentos. Você ficará assustada e com certeza vai se identificar com vários deles. Já para os homens fica a dica: mulher não gosta de cantada, já está comprovado através de pesquisas que não funciona, então reveja seus conceitos. Se pergunte se gostaria de ver alguém falando barbaridades para sua mãe ou para sua irmã. E aos pais: eduque seu filho para respeitar as mulheres e não ache graça nem ensine a chamar as meninas de “gatinha” quando pequeninos, pois estes serão os assediadores de amanhã.

Caso você seja vítima de assédio – seja ele no trabalho, na faculdade, com o vizinho – denuncie, não fique calada. E saiba: você não está sozinha. O assédio ofende humilha e fere milhares de mulheres todos os dias. Você não é objeto e não precisa aceitar isso. Procure ajuda psicológica e policial. No próprio site da campanha há um Mapa dos locais onde há mais assédio e você pode compartilhar sua história.

Fale sobre o assunto, discuta, publique nas redes sociais. Nós mulheres esperamos que um dia esse tipo de comportamento machista e abusivo seja considerado pela maioria como nojento e criminoso, assim como é hoje o racismo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Viagra feminino



Sempre que as mulheres vêem alguma chamada do tipo, o que acabam descobrindo (decepcionadas) são géis e creminhos que esquentam, excitam, etc... Muitas mulheres se perguntam: porque não inventam um Viagra feminino? Se você leitora já se perguntou isso acredite: você não está sozinha. Algumas pesquisas indicam que de 50 a 70% das brasileiras tem dificuldades para chegar ao orgasmo ou nunca sentiu um - uma quantidade assustadora. Esse número pode ser ainda maior, pois muitas mulheres não tem coragem de dizer isso a ninguém, nem a seu ginecologista. Em comparação, uma campanha em 2002 trazia o Pelé como figura principal incentivando os homens com dificuldade de ereção a procurar ajuda médica e psicológica. Desde o lançamento do Viagra há mais de 10 anos, vários outros medicamentos surgiram fazendo concorrência direta ao pioneiro e com preços cada vez mais acessíveis. Mas para a mulher nada... Mas porque ninguém se preocupa com a assustadora taxa de anorgasmia feminina? Porque ninguém fala no assunto?

Simplesmente porque a capacidade reprodutiva e de dar prazer da mulher não se altera com a falta de orgasmo. Além disso, o prazer da mulher não é algo valorizado e a ciência não se interessa em resolver esse problema. Fora do Brasil existem sim opções de medicamentos que prometem um auxílio nesse sentido, como o Gold MAX, mas é tudo ainda muito obscuro e mal se fala no assunto, bem diferente da realidade masculina. Atualmente existe uma corrente de pesquisadores que trabalha com a utilização do Viagra masculino em mulheres, mas tudo ainda muito devagar.

É impressionante a quantidade de mulheres que nunca tiveram um orgasmo, ou que conseguiram poucas vezes na vida, e quase todas elas nunca contou isso a ninguém. Mas então o que será que acontece com as mulheres? O que se sabe é que a dificuldade de a mulher atingir o orgasmo durante a relação sexual tem origem na maioria dos casos em questões psicológicas e emocionais, sendo raríssimas as dificuldades físicas propriamente ditas.

No aspecto físico podemos citar fatores como o uso dos anticoncepcionais, antidepressivos, calmantes e outros medicamentos que diminuem a libido. Também estão nesta lista os vários períodos conturbados na questão hormonal feminina como, por exemplo, a menopausa e o período pós-parto. Mas esses fatores são exceções.

O verdadeiro centro da questão está no psicológico e no emocional da mulher. Vamos aqui conversar sobre vários fatores que podem causar esse problema.

Desde criança, a mulher é educada para encarar seu corpo como algo que não deve ser tocado nem explorado, sendo desencorajada e até punida. Já os meninos e própria cultura encaram a masturbação como algo normal do adolescente. É até mesmo esperado que o menino se “tranque no banheiro”, compre revistas de “Mulher Pelada”, fale sobre o assunto. É um tratamento totalmente oposto do que se daria a um menino flagrado se masturbando no banheiro do que a uma filha mocinha fazendo o mesmo. A maioria das mulheres não se toca, não se masturba, não consegue nem atingir o orgasmo sozinha, fica constrangida até mesmo consigo mesma, sozinha entre quatro paredes. Ai fica aquela coisa: “Se sou casada (ou namoro), não tenho necessidade disso” ou “Meu marido não pode saber que faço isso, o que ele iria pensar”? Como se masturbação fosse coisa de mulher sozinha e mal amada ou de quem não está satisfeita com o parceiro. Masturbação é apenas uma maneira de obter prazer com seu próprio corpo, se conhecer e relaxar. Coisa que os homens há séculos já entenderam, estão há anos-luz à frente das mulheres nesse quesito.

A preocupação com a estética corporal ou o medo de se expor durante o ato sexual também contribuem. A mulher é sempre ordenada a se cobrir, desde criança, e quando nua sente-se constrangida, exposta, vulnerável, sente a necessidade de se cobrir ou de apagar a luz.

Então aqui temos a primeira resposta: vergonha do próprio corpo e do próprio prazer. Você pode pensar: “Não é o meu caso, eu sou muito bem resolvida, não tenho problemas com isso”. Mas a pergunta é: quantas vezes você parou um tempinho pra curtir seu próprio corpo? Você nunca quis apagar a luz ou se cobrir?

E a questão vai mais além: se não consegue atingir o orgasmo sozinha, como vai saber direcionar a relação sexual para atingir seu objetivo? Algumas mulheres só conseguem em uma posição específica, outras somente com sexo oral, outras com as pernas fechadas, outras abertas... E a maioria nem sabe como consegue. É difícil mostrar o caminho das pedras se você nunca passou por ali sozinha.

O segundo problema que encontramos é que apesar de ser desencorajada a se tocar desde criança, de o assunto masturbação- prazer ser um tabu, ironicamente a mulher sente na pele a ditadura do “tenho que ter um orgasmo ou meu parceiro vai pensar que sou frígida”. É um mito dizer que TODAS as mulheres tem orgasmos em TODAS as relações sexuais, mas é o que a sociedade prega, os filmes mostram... O mito da mulher que sempre chega lá é uma inverdade. Primeiramente porque depende de questões emocionais e psicológicas envolvidas, segundo, pois a questão não é tão simples assim. O que ocorre é que desde o inicio do namoro a mulher se sente pressionada, quer passar uma boa imagem, “cansa” de tentar, tem medo que o parceiro se canse e acaba indo pelo caminho mais fácil: fingir pra acabar com aquela pressão, o que vai se repetindo em outras relações do casal. O que era pra ser prazeroso acaba sendo algo que se deseja que termine logo, tamanha a pressão que a mulher sente durante a relação e ela desiste de tentar. E depois que se começou fingindo, como dizer a verdade? Como desfazer isso? Chegamos a mais uma resposta: a ansiedade e a pressão por ter o orgasmo. É um ciclo vicioso – a ansiedade leva ao não orgasmo e o não orgasmo leva à ansiedade.

Outro grande mito: o de que a penetração é o principal componente do orgasmo feminino. A maioria dos homens (e acredite das mulheres) ignora o fato de que o grande centro do prazer sexual da mulher não é a vagina e sim o clitóris – que equivale ao pênis no homem. Sim, esse que aparece como um mero figurante na cena sexual na verdade é o ator principal. A quase totalidade das mulheres chega ao orgasmo SOMENTE com a estimulação do clitóris durante a relação sexual, mas muitas mulheres não o fazem, pois tem vergonha de o parceiro pensar: “Não estou sendo bom o suficiente?” E muitos pensam mesmo, o que é um erro.  Você pode nunca chegar lá, pois está indo pelo caminho errado, usando o órgão errado. Nossa sociedade elegeu o Falo (órgão masculino) como o principal componente do prazer feminino, sendo que na verdade o que dá prazer a cada ser humano está no seu próprio corpo, no caso da mulher o clitóris. Assim chegamos a mais uma questão: a desinformação e o preconceito que fazem com que a mulher não se conheça e que o homem também não entenda como o corpo da mulher funciona, e continue achando que somente a penetração é o suficiente. Outra série de questões como o tempo que a mulher necessita para atingir o clímax – que é maior do que o homem, ou até mesmo o fato de que a estimulação deve ser constante e sem interrupções são fatores desconhecidos pela maioria.

Enfim, leitoras não há um Viagra feminino e milagroso, mas o mais importante é que a mulher saiba que é possível ser diferente. E saiba que cada mulher não está sozinha, há milhões de mulheres passando pela mesma dificuldade. Não há nada de errado com essas mulheres, elas apenas precisam se conhecer mais e buscar ajuda. São séculos de repressão sexual, não é fácil quebrar esses tabus. Certa vez li uma frase brilhante: “o órgão sexual principal da mulher está na cabeça”, por isso o fator psicológico é tão importante.

Conversando sobre o assunto, dando uma passadinha na Sex Shop, lendo, informando-se e buscando ajuda, a mulher pode dar um passo adiante. Auxílio médico e psicológico ajudam a tornar a vida sexual mais rica, feliz e verdadeira.  O importante é não desistir e não se conformar com somente dar prazer, é necessário e saudável, é essencial ter prazer na relação sexual.