Blog de Psicologia, com assuntos diversos e artigos voltados para a área.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Elogiar demais pode prejudicar as crianças
Gabriel é um menino esperto. Cresceu
ouvindo isso.
Andou, leu e escreveu cedo.
Vai bem nos esportes.
É popular na escola e as provas
confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.
“Esse menino é inteligente demais”,
repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse
malandrinho”.
Porém, ao contrário do que poderíamos
esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o
Gabriel nas lições de casa.
-“Ah, eu não sou bom para soletrar,
vou fazer o próximo exercício”.
Rapidamente Gabriel está aprendendo a
dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.
A estratégia (esperta, obviamente) é
a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e
desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas
que já domina com facilidade.
Mas, como infelizmente a lição de
casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima
do pequeno Gabriel faz um… crack.
Acreditar cegamente na sua
inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma
desconfiança de suas reais habilidades.
Inconscientemente ele se assusta com
a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada,
seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no
colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda
dos pais.
A imagem do “Gabriel que faz tudo com
facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser
protegida de qualquer maneira.
Gabriel não está sozinho. São muitos
os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem
intencionados e sinceros elogios dos adultos.
Nos últimos 10 anos foram publicados
diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.
Um teste, realizado nos Estados
Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social
and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success),
desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.
Quando acabavam, alguns eram
elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo
seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).
Em uma segunda rodada, mais difícil,
os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.
A maioria dos que foram elogiados
como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.
A maioria dos que foram elogiados
como “esforçados” escolheu o desafio diferente.
Influenciados por apenas UMA frase.
O diagrama abaixo mostra bem as
diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.
Se você tem um filho, um sobrinho, ou
um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado,
aventureiro, descobridor, fuçador, persistente. Celebre o sucesso, mas não
esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.
Por Wagner Brenner
Fonte: updateordie.com
Fonte: updateordie.com
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Capacitação em Escuta Terapêutica e Liderança Servidora
EVENTO GRATUITO! INSCRIÇÕES SE ENCERRAM HOJE!
Capacitação em Escuta Terapêutica e Liderança Servidora
CVV Francisca Julia
Acreditando firmemente que a fraternidade e o autoconhecimento são elementos fundamentais para a prevenção de transtornos mentais e sofrimento emocional, o CVV Francisca Júlia com o apoio do Programa de Parcerias Sociais do Instituto Embraer, convidam você para compartilhar conhecimentos e experiências no I Ciclo de Palestras sobre Escuta Terapêutica e Liderança Servidora. Serão várias oportunidade de datas para viabilizar sua participação. Esperamos você em todas!
Escuta Terapêutica
É um apoio emocional fundamentado no Programa CVV. É uma contribuição do CVV Francisca Júlia para comunidade em geral, como uma proposta de vida.
O Objetivo básico é levar a você, ouvinte amigo, subsídios para melhorar sua capacidade de escuta e de estabelecer bons relacionamentos interpessoais.Liderança Servidora
Em nossa vida não são raros os momentos que somos confrontados com situações, acontecimentos e relacionamentos que nos convidam à reflexão.
Serão temas como estes que nortearão esse ciclo de palestras na busca pela auto superação, e no compromisso inadiável de fazer o nosso melhor.
Calendário dos Encontros
Todos os encontros acontecerão no Auditório Mário Covas da Câmara Municipal de São José dos Campos/SP, das 15:00 às 17:00 (exceto 24/08 que será o Simpósio de Reinserção Social).29/05/2015 - Uma Proposta de Vida + Janela de Johari
26/06/2015 - A Janela da Alma (Exibição e Discussão sobre o filme)
31/07/2015 - A Sociedade Surda + Banco de Crenças
24/08/2015 - Especial 43 Anos Francisca Júlia - Simpósio de Reinserção Social - Das 9H às 17H
28/09/2015 - Comunicação Humana + Convivendo com as diferenças
26/10/2015 - Como comunicar ? + Pequenos Sacrifícios, Grandes Resultados
27/11/2015 - Vivendo uma Vida Plena + Nós e as Mudanças
18/12/2015 – Escuta, Liderança e Nossa Saúde Mental
SOLICITAMOS QUE FAÇA SUA INSCRIÇÃO PELO 39449090 RAMAL 253 OU E-MAIL:COORD.TECNICA@FRANCISCAJULIA.ORG.BR – COM MICHELE ATÉ 20/05/2015
SUA PARTICIPAÇÃO É MUITO IMPORTANTE!
https://www.facebook.com/cvv.franciscajulia
http://www.cvv.org.br/site/francisca-julia.html
quinta-feira, 14 de maio de 2015
A família e o Paciente Psiquiátrico (doente mental)
Todos nós, desde que nascemos passamos a maior parte do
nosso tempo em família. Ela é essencial para que possamos ter uma sensação de
pertencimento e acolhida diante das dificuldades que a vida nos oferece. O
paciente portador de transtorno mental – seja ele qual for – precisa ainda mais
da família do que as outras pessoas, dependendo dela para as atividades
diárias, o que de certa forma acaba por desgastar o bom convívio entre os
membros da família.
A doença mental geralmente interfere nas relações familiares,
gerando raiva, sentimentos de impotência, frustração, desgaste físico e
emocional, cansaço, medo, agressividade, dentre outros. É preciso levar em
consideração que muitas vezes a família toda pode vir a adoecer junto com o
paciente, tamanho o desgaste e o cansaço.
Quando recebe o diagnóstico, a família pode ser acometida
por sentimentos de negação da doença, relutando em aderir ao tratamento,
buscando soluções mágicas, ou acreditando que se não derem importância àquilo
os sintomas vão “desaparecer” sozinhos. Outro comportamento comum é a
culpabilização de si mesmo ou de terceiros pelo transtorno que acomete o
paciente. Seja um problema na gravidez, seja genético, seja fruto de “erro na
criação”, seja trauma de infância – a família busca o “culpado” pelo
transtorno. Sentimentos como raiva ou superproteção em relação ao paciente
também são comuns.
Com o passar do tempo, a família tenta se ajustar ao
convívio com o familiar que não é mais visto como o filho, pai, ou irmão: é
visto como “o doente”. Ele “encarna” a doença e a família passa a enxergar
apenas os sintomas que ele apresenta e não mais o familiar amoroso e querido.
Alguns padrões de comportamento da família também emergem no
convívio com os portadores de transtornos mentais e podem interferir diretamente
no estado do paciente:
Permissividade: A família acredita que por o parente ser
“doente”, não podem ser contrariado, não podem discordar dele em nenhum
momento, e ceder a todos os seus desejos. Há casos de pacientes que fumavam 90
cigarros por dia, pois a família acredita que deva concordar com todas as suas
vontades e atendê-las.
Agressividade: A família está tão cansada que passar a se
tornar agressiva e hostil com o paciente, com discussões e gritos que podem
evoluir para agressões físicas de ambas as partes.
Alto nível de exigência: A família se torna excessivamente
exigente quanto aos comportamentos e sintomas que o paciente muitas vezes não
consegue controlar. Podem vir a cobrar dele uma normalidade acima do comum. É
curioso verificar que a família fica tão afetada pelo transtorno, que
comportamentos do paciente que seriam considerados “normais” para todas as
pessoas, são considerados sintomas de crise ou surto, como fazer amizade no
ônibus ou ficar nervoso ao perder um objeto.
Anulação do cuidador: Muitas vezes a família ou alguns
membros mais próximos ao paciente por falta de organização ou condições – acaba
por se auto anular. Vive para cuidar do familiar, negligenciando todos os outros aspectos da
sua vida, o que pode levar à depressão ou outras formas de adoecimento
psíquico. Isso também é prejudicial, pois deixam transparecer ao paciente seu
cansaço, frustração, parecendo que o paciente é um estorvo, o que pode gerar
fugas e comportamentos agressivos no paciente. Ter uma atividade física, participar de grupos de caminhada,
“academia ao ar livre”, fazer uma boa leitura, enfim, ter um tempo para si, São
maneiras de prevenir o adoecimento da família e dos cuidadores. Buscar
atividades de lazer que incluam os pacientes também melhora o ambiente familiar
e reaproxima a família. Procurar apoio em grupos de família também pode ser uma
ferramenta poderosa, compartilhando as angustias e frustrações com familiares
de outros pacientes.
O hospital Francisca Julia oferece semanalmente aos
familiares dos pacientes internados no hospital o “Encontro de família”. Esses encontros são
coordenados pelo corpo técnico do hospital, sendo que cada semana um setor
conversa com as famílias sanando duvidas e orientando quanto as especificidades
de sua área. São os Psicólogos, a assistente social, terapeutas ocupacionais e
enfermeiras do hospital. Nas reuniões são fornecidos esclarecimentos a respeito
da doença, orientações sobre como proceder, sobre os medicamentos e o
funcionamento do hospital. Também é trabalhado o aspecto emocional e psíquico
dos familiares.
Buscar informações a respeito do transtorno mental do seu
familiar é essencial, pois favorece o entendimento dos comportamentos
(sintomas) do paciente e, além disso, melhora o ambiente familiar.
Priscila Mathias
Psicóloga Hospital Psiquiátrico CVV Francisca Júlia
CRP 06/118786segunda-feira, 27 de abril de 2015
Você mulher, está satisfeita com sua vida sexual??
Sempre que as mulheres vêem alguma
chamada do tipo, o que acabam descobrindo (decepcionadas) são géis e creminhos
que esquentam, excitam, etc... Muitas mulheres se perguntam: porque não
inventam um Viagra feminino? Se você leitora já se perguntou isso acredite:
você não está sozinha. Algumas pesquisas indicam que de 50 a 70% das brasileiras
tem dificuldades para chegar ao orgasmo ou nunca sentiu um - uma quantidade
assustadora. Esse número pode ser ainda maior, pois muitas mulheres não tem
coragem de dizer isso a ninguém, nem a seu ginecologista. Em comparação, uma
campanha em 2002 trazia o Pelé como figura principal incentivando os homens com
dificuldade de ereção a procurar ajuda médica e psicológica. Desde o lançamento
do Viagra há mais de 10 anos, vários outros medicamentos surgiram fazendo
concorrência direta ao pioneiro e com preços cada vez mais acessíveis. Mas para
a mulher nada... Mas porque ninguém se preocupa com a assustadora taxa de
anorgasmia feminina? Porque ninguém fala no assunto?
Simplesmente porque a capacidade
reprodutiva e de dar prazer da mulher não se altera com a falta de orgasmo.
Além disso, o prazer da mulher não é algo valorizado e a ciência não se
interessa em resolver esse problema. Fora do Brasil existem sim opções de
medicamentos que prometem um auxílio nesse sentido, como o Gold MAX, mas é tudo
ainda muito obscuro e mal se fala no assunto, bem diferente da realidade
masculina. Atualmente existe uma corrente de pesquisadores que trabalha com a
utilização do Viagra masculino em mulheres, mas tudo ainda muito devagar.
É impressionante a quantidade de mulheres
que nunca tiveram um orgasmo, ou que conseguiram poucas vezes na vida, e quase
todas elas nunca contou isso a ninguém. Mas então o que será que acontece com
as mulheres? O que se sabe é que a dificuldade de a mulher atingir o orgasmo
durante a relação sexual tem origem na maioria dos casos em questões
psicológicas e emocionais, sendo raríssimas as dificuldades físicas
propriamente ditas.
No aspecto físico podemos citar
fatores como o uso dos anticoncepcionais, antidepressivos, calmantes e outros
medicamentos que diminuem a libido. Também estão nesta lista os vários períodos
conturbados na questão hormonal feminina como, por exemplo, a menopausa e o
período pós-parto. Mas esses fatores são exceções.
O verdadeiro centro da questão está
no psicológico e no emocional da mulher. Vamos aqui conversar sobre vários
fatores que podem causar esse problema.
Desde criança, a mulher é educada
para encarar seu corpo como algo que não deve ser tocado nem explorado, sendo
desencorajada e até punida. Já os meninos e própria cultura encaram a
masturbação como algo normal do adolescente. É até mesmo esperado que o menino
se “tranque no banheiro”, compre revistas de “Mulher Pelada”, fale sobre o
assunto. É um tratamento totalmente oposto do que se daria a um menino flagrado
se masturbando no banheiro do que a uma filha mocinha fazendo o mesmo. A
maioria das mulheres não se toca, não se masturba, não consegue nem atingir o
orgasmo sozinha, fica constrangida até mesmo consigo mesma, sozinha entre
quatro paredes. Ai fica aquela coisa: “Se sou casada (ou namoro), não tenho
necessidade disso” ou “Meu marido não pode saber que faço isso, o que ele iria
pensar”? Como se masturbação fosse coisa de mulher sozinha e mal amada ou de
quem não está satisfeita com o parceiro. Masturbação é apenas uma maneira de
obter prazer com seu próprio corpo, se conhecer e relaxar. Coisa que os homens
há séculos já entenderam, estão há anos-luz à frente das mulheres nesse
quesito.
A preocupação com a estética corporal
ou o medo de se expor durante o ato sexual também contribuem. A mulher é sempre
ordenada a se cobrir, desde criança, e quando nua sente-se constrangida,
exposta, vulnerável, sente a necessidade de se cobrir ou de apagar a luz.
Então aqui temos a primeira resposta:
vergonha do próprio corpo e do próprio prazer. Você pode pensar: “Não é o meu
caso, eu sou muito bem resolvida, não tenho problemas com isso”. Mas a pergunta
é: quantas vezes você parou um tempinho pra curtir seu próprio corpo? Você
nunca quis apagar a luz ou se cobrir?
E a questão vai mais além: se não
consegue atingir o orgasmo sozinha, como vai saber direcionar a relação sexual
para atingir seu objetivo? Algumas mulheres só conseguem em uma posição
específica, outras somente com sexo oral, outras com as pernas fechadas, outras
abertas... E a maioria nem sabe como consegue. É difícil mostrar o caminho das
pedras se você nunca passou por ali sozinha.
O segundo problema que encontramos é
que apesar de ser desencorajada a se tocar desde criança, de o assunto
masturbação- prazer ser um tabu, ironicamente a mulher sente na pele a ditadura
do “tenho que ter um orgasmo ou meu parceiro vai pensar que sou frígida”. É um
mito dizer que TODAS as mulheres tem orgasmos em TODAS as relações sexuais, mas
é o que a sociedade prega, os filmes mostram... O mito da mulher que sempre
chega lá é uma inverdade. Primeiramente porque depende de questões emocionais e
psicológicas envolvidas, segundo, pois a questão não é tão simples assim. O que
ocorre é que desde o inicio do namoro a mulher se sente pressionada, quer
passar uma boa imagem, “cansa” de tentar, tem medo que o parceiro se canse e acaba
indo pelo caminho mais fácil: fingir pra acabar com aquela pressão, o que vai
se repetindo em outras relações do casal. O que era pra ser prazeroso acaba
sendo algo que se deseja que termine logo, tamanha a pressão que a mulher sente
durante a relação e ela desiste de tentar. E depois que se começou fingindo,
como dizer a verdade? Como desfazer isso? Chegamos a mais uma resposta: a
ansiedade e a pressão por ter o orgasmo. É um ciclo vicioso – a ansiedade leva
ao não orgasmo e o não orgasmo leva à ansiedade.
Outro grande mito: o de que a
penetração é o principal componente do orgasmo feminino. A maioria dos homens
(e acredite das mulheres) ignora o fato de que o grande centro do prazer sexual
da mulher não é a vagina e sim o clitóris – que equivale ao pênis no homem.
Sim, esse que aparece como um mero figurante na cena sexual na verdade é o ator
principal. A quase totalidade das mulheres chega ao orgasmo SOMENTE com a
estimulação do clitóris durante a relação sexual, mas muitas mulheres não o
fazem, pois tem vergonha de o parceiro pensar: “Não estou sendo bom o
suficiente?” E muitos pensam mesmo, o que é um erro. Você pode nunca
chegar lá, pois está indo pelo caminho errado, usando o órgão errado. Nossa
sociedade elegeu o Falo (órgão masculino) como o principal componente do prazer
feminino, sendo que na verdade o que dá prazer a cada ser humano está no seu
próprio corpo, no caso da mulher o clitóris. Assim chegamos a mais uma questão:
a desinformação e o preconceito que fazem com que a mulher não se conheça e que
o homem também não entenda como o corpo da mulher funciona, e continue achando
que somente a penetração é o suficiente. Outra série de questões como o tempo
que a mulher necessita para atingir o clímax – que é maior do que o homem, ou
até mesmo o fato de que a estimulação deve ser constante e sem interrupções são
fatores desconhecidos pela maioria.
Enfim, leitoras não há um Viagra
feminino e milagroso, mas o mais importante é que a mulher saiba que é possível
ser diferente. E saiba que cada mulher não está sozinha, há milhões de mulheres
passando pela mesma dificuldade. Não há nada de errado com essas mulheres, elas
apenas precisam se conhecer mais e buscar ajuda. São séculos de repressão
sexual, não é fácil quebrar esses tabus. Certa vez li uma frase brilhante: “o
órgão sexual principal da mulher está na cabeça”, por isso o fator psicológico
é tão importante.
Conversando sobre o assunto, dando
uma passadinha na Sex Shop, lendo, informando-se e buscando ajuda, a mulher
pode dar um passo adiante. Auxílio médico e psicológico ajudam a tornar a vida
sexual mais rica, feliz e verdadeira. O importante é não desistir e
não se conformar com somente dar prazer, é necessário e saudável, é essencial
ter prazer na relação sexual.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Amanda BBB 15 e a síndrome do Conto de fadas
“Ninguém acredita em contos de fadas, eu vou morrer
acreditando. Esse foi o meu conto de fadas mesmo que todo errado, mesmo que eu
seja toda errada. Eu descobri que existe amor e que a gente pode ser feliz
então eu me doei, eu mais do que nunca me joguei aqui. Eu nunca acreditei em
mim, eu nunca me dei valor e aqui eu aprendi que eu sou especial, que as
pessoas gostam de mim e isso é uma vitória imensa”.
Essas foram as palavras de Amanda para defender sua
permanência na casa, usadas durante o 1 minuto concedido pelo programa para
tanto.
Tinha tudo pra ser realmente uma linda história de amor, um
conto de fadas, não fosse por um pequeno grande detalhe: não há príncipe. A
princesa, presa no alto do castelo, trancada na torre da baixa autoestima e da
própria desvalorização, sonha sozinha... Quer desesperadamente a salvação vinda
desse príncipe. Ou de qualquer outro.
Isso tudo nos parece muito familiar não é? Afinal de contas
desde pequenas as meninas, através do caráter lúdico das histórias infantis,
aprendem “valiosas” lições, dentre elas a principal: uma mulher PRECISA de um
príncipe encantado para salvá-la e tudo só fica bem no final com a chegada do
dito cujo.
Nesta edição do BBB 15, mesmo os que não acompanham o
reality acabaram por se interessar pela historia de Amanda, Fernando e Aline na
casa. O programa, apesar de não ser lá um “poço de cultura” nos fornece uma
pequena amostra do mundo real, pois vemos espelhados nos participantes comportamentos
comuns em nossa sociedade. É interessante para a psicologia utilizar dessas
historias como ponto de partida para discussões. Eu, que não assistia ao
programa, achei interessante acompanhar o desenrolar dessa novela mexicana e
poder discutir sobre o assunto.
Vamos falar sobre Amanda. Uma mulher linda, interessante,
divertida, inteligente... Mas que adentra ao confinamento com um grande dilema
emocional: nunca ter ouvido “eu te amo”. Durante todo o programa, esse foi o
grande trauma da participante, discutido e comentado por todos. E ela quer
muito ouvir, ela chega a pedir a seu amado que o diga, ela o pede em namoro. Uma,
duas, três, várias vezes até na mesma noite. Ela chora... Se desespera...
Repreende a sim mesma. Sabe – e diz em alto e bom som – que está se humilhando,
sente-se “burra” por estar fazendo esse papel. Mas depois retoma seu fôlego e
seu comportamento.
Amanda diz mais de uma vez, para
Fernando: "Pra quem nunca teve nada, isso é muito". Mas o que o rapaz
a oferece? Fica claro para todos que assistiram que ele não corresponde
minimamente ao sentimento dela.
Ao ver a família e os amigos da morena reunidos da final do
programa, me pergunto se ela realmente nunca ouviu um “eu te amo”. Uma família
tão afetuosa e amigos tão presentes devem em algum momento da vida dela, mesmo
que na infância ter dito a tão esperada frase. E pode ter certeza que disseram.
E várias vezes...
Mas não é isso que Amanda precisa, ela quer ouvir isso de um
homem. Dessa frase, dessa atenção, depende toda sua auto estima, seu senso de
valor próprio, seu sucesso como pessoa. Ela depende disso para ser feliz e
sentir-se completa. Amanda assim como muitas mulheres sofre de um mal comum: a “síndrome
do conto de fadas”. Não, não é uma doença catalogada no CID, é apenas um
trocadilho meu, mas muita gente ao ler isso com certeza vai saber do que estou
falando.
Esperar pelo príncipe encantado pode ser fofo e romântico,
mas leva muitas mulheres à total falta de amor próprio e autoestima destruída.
Focar sua vida, seus planos, seu futuro, suas decisões e seu destino no projeto
“príncipe encantado” é a melhor maneira de se expor e se machucar com certeza.
Uma mulher que age dessa maneira tem quase que receita
infalível para o coração partido. Carente e desejosa de afeto, aceita qualquer
migalha que seus parceiros lhe oferecem. Dessa maneira fica fácil se iludir com
alguém que não tem o mesmo sentimento por ela e sair machucada da história. E
sentir-se menos amada, mais carente e com a autoestima mais baixa ainda.
Exatamente a história de Amanda.
Ao dizer em seu discurso que nunca acreditou em si mesma e
nunca se deu valor, Amanda resume exatamente o centro da questão.
A mulher que tem seus próprios objetivos de vida sejam eles
profissionais, espirituais ou pessoais tende a depender menos da aprovação e do
“eu te amo” do companheiro para ser completa. Ela sabe que seus sucessos e
conquistas são o “eu te amo” que a vida lhe oferece. Ela sabe dizer “eu te amo”
a si mesma quando não aceita migalhas em seus relacionamentos. Ela não depende
do elogio de um homem para se achar linda. O homem dos sonhos é um complemento
da vida, é alguém que vem para somar e não a razão da existência. Ela não
precisa ser salva.
Dessa forma, naturalmente quando o “príncipe” aparecer ela
vai poder relaxar e aproveitar, se valorizar nesse relacionamento, sentindo-se
segura e não dependente dele para viver.
Se você ainda não consegue se amar dessa maneira não se
sinta culpada. Você foi ensinada desde criança a esperar o príncipe encantado.
Mas isso pode ser revertido... Diga “eu te amo” a si mesma hoje e comece a se
transformar, uma das maneiras de fazer isso é através da terapia.
Milhares de mulheres vivem como Amanda. Buscando em cada
relacionamento príncipe encantado, buscando sentir-se bem consigo mesma através
do olhar e da aprovação do outro. E quando não conseguem, sentem-se perdedoras
e insignificantes.
Amanda não saiu vencedora do BBB. Não ganhou um milhão e
meio e nem o príncipe encantado no final. Somente será vencedora quando conseguir
amar-se primeiro para que os outros possam amá-la por consequência e dessa
forma tornar-se a princesa que tanto almeja ser.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Fiu Fiu... Assédio ou cantada? O lado da mulher.
Ocorre há algum tempo na Internet a campanha “Chega de
fiufiu”, que percorre redes sociais e tem seu principal exponente o site http://chegadefiufiu.com.br/
Cresce nas cidades as academias só para mulheres, onde a principal
vantagem é poder se exercitar à vontade, vestindo roupas confortáveis e em
posições que geralmente nós mulheres tememos ficar por conta do assédio – seja
ele direto ou aquela “secada” enquanto você malha o bumbum. Diante de tudo
isso, comecei a refletir sobre o assunto, e pesquisando fiquei estarrecida.
Em pesquisa realizada 7762 mulheres brasileiras, a
jornalista Karin Hueck mapeou dados que na verdade todas nós mulheres já
sabemos. Segundo a pesquisa, 99,6% das mulheres participantes afirmaram terem
sido assediadas, e isso ocorre em todos os lugares: na rua, no transporte
público, na balada, no trabalho, em parques, shoppings e cinemas.
A pesquisa da escritora vai mais além e revela dados
assustadores:
·
83% das mulheres não gostam de receber cantadas,
não acham algo legal (só os homens não se dão conta disso)
·
81% das mulheres já deixaram de fazer alguma
coisa – ir a algum lugar, passar na frente de uma obra, sair a pé, sair à noite
– por medo do assédio. Você já passou por isso?
·
90% já trocaram de roupa – mesmo com calor, por
exemplo - por medo do assédio.
·
Apenas 27% respondem aos assédios que ouve na
rua contra 73% que escutam caladas, mesmo não gostando. Das que disseram não às
cantadas de alguém, 68% foram xingadas, com ofensas que variam de “metida”,
“baranga”, “gorda”, “feia”, “mal comida” dentre outras.
·
86% das mulheres foram assediadas na balada,
sendo que 82% das mulheres já foram agarradas a força. Quando questionadas como
foi (poderia escolher mais de uma opção) as respostas variam de “puxada pelo
cabelo” (sim, acredite!), pela cintura, pelo braço, dentre outras.
·
85% das mulheres responderam sim à pergunta: “Já
passaram a mão em você?”. As respostas (poderia escolher mais de uma opção) são
revoltantes: 17% peitos, 73% bunda, 46% cintura, 14% no meio das pernas (órgãos
genitais).
Parece algo muito distante, mas se você parar para pensar,
com certeza, vai ver que se encaixa nessas estatísticas. Eu mesma já passei por
todas elas: desde as cantadas horríveis na rua, ser agarrada – inclusive no meio
da rua saindo da missa, ser assediada na balada, ser vítima da “passada de mão
em shows e carnaval”, levar cantada de cliente, de colega, ser seguida por um
homem em um carro quando voltava da faculdade, etc...
Moro ao lado de um depósito de móveis, com entrada e saída
de caminhões, carregadores, e vários homens ficam na porta durante todo o dia,
esperando para descarregar. Entrar e sair da minha casa estava virando um
verdadeiro pesadelo, pois todos os dias uma plateia me aguardava descer do
carro e ficava encarando e mexendo. Tinha desgosto em pensar em sair de casa –
além do medo de sair sozinha às 6:20 da manhã ou chegar em casa e ser atacada.
Isso mesmo: ser atacada.
Em um Reveillon em Caraguatatuba, na praia esperando os
fogos, praia lotada de pessoas, eu e minhas amigas tivemos que passar por um
grupo grande de homens e as barbaridades que ouvimos foram tantas... Os homens
pegando as meninas pelo cabelo e pelo braço, vindo pra cima tentando beijar...
Aquilo tudo foi tão amedrontador que acabamos indo embora da praia. Sentimos
MEDO daqueles homens.
Ao parar em um posto de gasolina cheio de homens e abastecer
com o cartão, o meu primeiro pensamento é: Tomara que a máquina de cartão venha
até aqui. Porque sair do carro é horrível, só os olhares já ofendem.
Todas sabemos que o que as mulheres sentem nessas situações
não é simpatia e interesse pelos homens – é medo!
Um bom exemplo que podemos dar para que os homens entendam
isso é a seguinte situação: Você está andando sozinho por uma rua deserta e se depara
com um desconhecido com “cara” de suspeito vindo em sua direção. O homem pensa:
“Ai meu Deus... Por favor, não roube meu celular” e a mulher pensa ” Ai meu
Deus... Por favor, não me agarre, não me estupre!”
Quando repreendidos pelas cantadas, o principal argumento
dos homens é “as mulheres gostam”, que é um elogio, de que eles não se
ofenderiam se uma mulher os cantasse e outras coisas do tipo. E o pior é que
algumas mulheres – inclusive celebridades – dizem gostar de receber cantadas,
pois precisam passar em frente a uma obra para “melhorar a autoestima”. Acredito
que as (pouquíssimas) mulheres que assim pensam na verdade precisam procurar
ajuda psicológica para trabalhar a própria autoestima. Porque se sua autoestima
depender da opinião de um estranho na rua, com certeza algo está errado.
Mas será que um homem quando assedia uma mulher em locais
públicos, por exemplo, acredita que ela vai voltar e dizer: “Ok lindão, me dá
seu telefone?” Ou “Vamos tomar um chopp?” Claro que não. O assédio ocorre em lugares
como ponto de ônibus, as ruas, o trabalho ou a faculdade, por onde as pessoas
transitam para as mais diversas finalidades, muitas vezes com pressa para
chegar a outro local. Muitas vezes o homem está dentro do carro! Homens que
chamam mulheres de “gostosa” no meio de uma avenida movimentada certamente não
esperam que elas parem.
O que ocorre é que a cantada é algo que o homem se sente no
direito de emitir. O tal “elogio” é um julgamento do corpo feminino, o homem
faz isso para intimidar, é uma demonstração de poder. Questionados, os próprios
rapazes dizem que é para “zuar”, a maioria se diverte com a cara de medo e
vergonha das mulheres, principalmente quando estão em grupo e a mulher está
sozinha. E se a resposta for negativa então: xingam aos berros e até agridem a
mulher – acredite eu já vi isso acontecer. Cantada na rua não é paquera, é
intimidação.
E mesmo na balada, paquerando alguém: um homem que tem a
coragem de puxar uma mulher pelo cabelo, de tentar beijar à força ou passar a
mão em uma garota com certeza é capaz de estabelecer um papo interessante ou
simplesmente comentar sobre a banda que está tocando, pedir o facebook...
Para as mulheres que lêem essa reportagem, acessem o site da
campanha Chega de fiufiu e dêem uma olhada na sessão de depoimentos. Você
ficará assustada e com certeza vai se identificar com vários deles. Já para os
homens fica a dica: mulher não gosta de cantada, já está comprovado através de
pesquisas que não funciona, então reveja seus conceitos. Se pergunte se gostaria
de ver alguém falando barbaridades para sua mãe ou para sua irmã. E aos pais:
eduque seu filho para respeitar as mulheres e não ache graça nem ensine a
chamar as meninas de “gatinha” quando pequeninos, pois estes serão os
assediadores de amanhã.
Caso você seja vítima de assédio – seja ele no trabalho, na
faculdade, com o vizinho – denuncie, não fique calada. E saiba: você não está
sozinha. O assédio ofende humilha e fere milhares de mulheres todos os dias.
Você não é objeto e não precisa aceitar isso. Procure ajuda psicológica e
policial. No próprio site da campanha há um Mapa dos locais onde há mais
assédio e você pode compartilhar sua história.
Fale sobre o assunto, discuta, publique nas redes sociais.
Nós mulheres esperamos que um dia esse tipo de comportamento machista e abusivo
seja considerado pela maioria como nojento e criminoso, assim como é hoje o
racismo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Viagra feminino
Sempre que as mulheres vêem alguma chamada do tipo, o que
acabam descobrindo (decepcionadas) são géis e creminhos que esquentam, excitam,
etc... Muitas mulheres se perguntam: porque não inventam um Viagra feminino? Se
você leitora já se perguntou isso acredite: você não está sozinha. Algumas
pesquisas indicam que de 50 a 70% das brasileiras tem dificuldades para chegar
ao orgasmo ou nunca sentiu um - uma quantidade assustadora. Esse número pode
ser ainda maior, pois muitas mulheres não tem coragem de dizer isso a ninguém,
nem a seu ginecologista. Em comparação, uma campanha em 2002 trazia o Pelé como
figura principal incentivando os homens com dificuldade de ereção a procurar
ajuda médica e psicológica. Desde o lançamento do Viagra há mais de 10 anos,
vários outros medicamentos surgiram fazendo concorrência direta ao pioneiro e
com preços cada vez mais acessíveis. Mas para a mulher nada... Mas porque
ninguém se preocupa com a assustadora taxa de anorgasmia feminina? Porque
ninguém fala no assunto?
Simplesmente porque a capacidade reprodutiva e de dar prazer
da mulher não se altera com a falta de orgasmo. Além disso, o prazer da mulher
não é algo valorizado e a ciência não se interessa em resolver esse problema. Fora
do Brasil existem sim opções de medicamentos que prometem um auxílio nesse
sentido, como o Gold MAX, mas é tudo ainda muito obscuro e mal se fala no
assunto, bem diferente da realidade masculina. Atualmente existe uma corrente
de pesquisadores que trabalha com a utilização do Viagra masculino em mulheres,
mas tudo ainda muito devagar.
É impressionante a quantidade de mulheres que nunca tiveram
um orgasmo, ou que conseguiram poucas vezes na vida, e quase todas elas nunca
contou isso a ninguém. Mas então o que será que acontece com as mulheres? O que
se sabe é que a dificuldade de a mulher atingir o orgasmo durante a relação
sexual tem origem na maioria dos casos em questões psicológicas e emocionais,
sendo raríssimas as dificuldades físicas propriamente ditas.
No aspecto físico podemos citar fatores como o uso dos
anticoncepcionais, antidepressivos, calmantes e outros medicamentos que
diminuem a libido. Também estão nesta lista os vários períodos conturbados na
questão hormonal feminina como, por exemplo, a menopausa e o período pós-parto.
Mas esses fatores são exceções.
O verdadeiro centro da questão está no psicológico e no
emocional da mulher. Vamos aqui conversar sobre vários fatores que podem causar
esse problema.
Desde criança, a mulher é educada para encarar seu corpo
como algo que não deve ser tocado nem explorado, sendo desencorajada e até
punida. Já os meninos e própria cultura encaram a masturbação como algo normal
do adolescente. É até mesmo esperado que o menino se “tranque no banheiro”,
compre revistas de “Mulher Pelada”, fale sobre o assunto. É um tratamento
totalmente oposto do que se daria a um menino flagrado se masturbando no
banheiro do que a uma filha mocinha fazendo o mesmo. A maioria das mulheres não
se toca, não se masturba, não consegue nem atingir o orgasmo sozinha, fica
constrangida até mesmo consigo mesma, sozinha entre quatro paredes. Ai fica
aquela coisa: “Se sou casada (ou namoro), não tenho necessidade disso” ou “Meu
marido não pode saber que faço isso, o que ele iria pensar”? Como se
masturbação fosse coisa de mulher sozinha e mal amada ou de quem não está
satisfeita com o parceiro. Masturbação é apenas uma maneira de obter prazer com
seu próprio corpo, se conhecer e relaxar. Coisa que os homens há séculos já
entenderam, estão há anos-luz à frente das mulheres nesse quesito.
A preocupação com a estética corporal ou o medo de se expor
durante o ato sexual também contribuem. A mulher é sempre ordenada a se cobrir,
desde criança, e quando nua sente-se constrangida, exposta, vulnerável, sente a
necessidade de se cobrir ou de apagar a luz.
Então aqui temos a primeira resposta: vergonha do próprio
corpo e do próprio prazer. Você pode pensar: “Não é o meu caso, eu sou muito
bem resolvida, não tenho problemas com isso”. Mas a pergunta é: quantas vezes
você parou um tempinho pra curtir seu próprio corpo? Você nunca quis apagar a
luz ou se cobrir?
E a questão vai mais além: se não consegue atingir o orgasmo
sozinha, como vai saber direcionar a relação sexual para atingir seu objetivo?
Algumas mulheres só conseguem em uma posição específica, outras somente com
sexo oral, outras com as pernas fechadas, outras abertas... E a maioria nem
sabe como consegue. É difícil mostrar o caminho das pedras se você nunca passou
por ali sozinha.
O segundo problema que encontramos é que apesar de ser
desencorajada a se tocar desde criança, de o assunto masturbação- prazer ser um
tabu, ironicamente a mulher sente na pele a ditadura do “tenho que ter um
orgasmo ou meu parceiro vai pensar que sou frígida”. É um mito dizer que TODAS
as mulheres tem orgasmos em TODAS as relações sexuais, mas é o que a sociedade
prega, os filmes mostram... O mito da mulher que sempre chega lá é uma
inverdade. Primeiramente porque depende de questões emocionais e psicológicas
envolvidas, segundo, pois a questão não é tão simples assim. O que ocorre é que
desde o inicio do namoro a mulher se sente pressionada, quer passar uma boa
imagem, “cansa” de tentar, tem medo que o parceiro se canse e acaba indo pelo
caminho mais fácil: fingir pra acabar com aquela pressão, o que vai se
repetindo em outras relações do casal. O que era pra ser prazeroso acaba sendo
algo que se deseja que termine logo, tamanha a pressão que a mulher sente
durante a relação e ela desiste de tentar. E depois que se começou fingindo,
como dizer a verdade? Como desfazer isso? Chegamos a mais uma resposta: a ansiedade
e a pressão por ter o orgasmo. É um ciclo vicioso – a ansiedade leva ao não
orgasmo e o não orgasmo leva à ansiedade.
Outro grande mito: o de que a penetração é o principal
componente do orgasmo feminino. A maioria dos homens (e acredite das mulheres)
ignora o fato de que o grande centro do prazer sexual da mulher não é a vagina
e sim o clitóris – que equivale ao pênis no homem. Sim, esse que aparece como
um mero figurante na cena sexual na verdade é o ator principal. A quase
totalidade das mulheres chega ao orgasmo SOMENTE com a estimulação do clitóris
durante a relação sexual, mas muitas mulheres não o fazem, pois tem vergonha de
o parceiro pensar: “Não estou sendo bom o suficiente?” E muitos pensam mesmo, o
que é um erro. Você pode nunca chegar
lá, pois está indo pelo caminho errado, usando o órgão errado. Nossa sociedade
elegeu o Falo (órgão masculino) como o principal componente do prazer feminino,
sendo que na verdade o que dá prazer a cada ser humano está no seu próprio
corpo, no caso da mulher o clitóris. Assim chegamos a mais uma questão: a
desinformação e o preconceito que fazem com que a mulher não se conheça e que o
homem também não entenda como o corpo da mulher funciona, e continue achando
que somente a penetração é o suficiente. Outra série de questões como o tempo
que a mulher necessita para atingir o clímax – que é maior do que o homem, ou
até mesmo o fato de que a estimulação deve ser constante e sem interrupções são
fatores desconhecidos pela maioria.
Enfim, leitoras não há um Viagra feminino e milagroso, mas o
mais importante é que a mulher saiba que é possível ser diferente. E saiba que
cada mulher não está sozinha, há milhões de mulheres passando pela mesma
dificuldade. Não há nada de errado com essas mulheres, elas apenas precisam se
conhecer mais e buscar ajuda. São séculos de repressão sexual, não é fácil
quebrar esses tabus. Certa vez li uma frase brilhante: “o órgão sexual
principal da mulher está na cabeça”, por isso o fator psicológico é tão
importante.
Conversando sobre o assunto, dando uma passadinha na Sex
Shop, lendo, informando-se e buscando ajuda, a mulher pode dar um passo
adiante. Auxílio médico e psicológico ajudam a tornar a vida sexual mais rica,
feliz e verdadeira. O importante é não
desistir e não se conformar com somente dar prazer, é necessário e saudável, é
essencial ter prazer na relação sexual.
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