quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Amar é sofrer?



Incontáveis livros, muitos manuais, artigos na internet com dicas, capas de revistas tratando do tema. Que mulheres amam demais quase todo mundo sabe, mas porque isso acontece e como evitar ser engolido pelo amor por outra pessoa?
Quem não conhece um caso de uma mulher – parente, amiga, conhecida – que penou na mão de um amor? Quem nunca ajudou uma amiga desiludida, em prantos por um caso amoroso mal sucedido? E quantos homens vemos nessa mesma situação? Mas porque essa diferença?
Já dizia uma avó de uma grande amiga quando nascia uma menina na família: “Coitada, mais uma mulher para sofrer na vida”. Parece que mulher nasceu mesmo pra sofrer; as pessoas estão acostumadas a ver mulheres sofrendo.  Vivemos em uma sociedade que desde criança ensina a mulher a ceder, a abdicar, a servir, ser recatada, a perdoar, a cuidar, resolver as diferenças na conversa, e se nada der certo: “Chora filha, que faz bem... Vai passar”. Como dizia a música: “Amélia é que era mulher de verdade”. São nossas mães, avós, nossas matriarcas que tanto cederam e serviram. 
E aos homens o que é ensinado? Coragem, não ceder, lutar pelo seu espaço, brigar, não levar desaforo pra casa, ser competitivo, impor, não chorar, aproveitar a vida, “pegar todas”... “É da natureza do homem” dizem muitos.
Sofremos mais porque apesar da mulher do século XXI estar mudando financeiramente, sexualmente e socialmente, lá no íntimo ainda vivemos do conto de fadas, somos ensinadas que o sofrimento é normal, que amar é sofrer. Ainda achamos que não dá pra ser feliz sem o outro, sem casar, sem ter filhos, sem ter alguém de quem cuidar. Felicidade = servir e cuidar. Não é a toa que as profissões onde o “cuidar” é exercido como psicologia, enfermagem, fisioterapia e serviços social são dominadas por mulheres. Ainda acreditamos que podemos salvar o mundo, os cônjuges, que vamos consertar até o mais terrível mulherengo, o alcoolista, o dependente químico. E quando as coisas não dão certo, apesar de termos cedido e tentado o máximo; quando abandonadas, traídas ou desiludidas pensamos que a culpa de tudo deve ter sido nossa, que não tivemos paciência suficiente, que não éramos boas, bonitas ou competentes o bastante pra conseguir salvar nosso relacionamento ou nosso ser amado.
Outra fonte desse pensamento, além da educação que recebemos, é a baixa autoestima. Aquele sentimento de que nenhuma outra pessoa pode lhe fazer feliz, a sensação de que se precisa do outro para estar bem, o desespero de ficar sozinha. Se você sente-se assim, não estranhe: a maioria das mulheres – e alguns homens também – sofre dessa dependência afetiva do outro. Mas há solução: o cuidar de si mesma. Pode ser através da dança, da arte, do esporte, da religião, dos estudos. Existem ainda grupos de ajuda onde você pode encontrar o apoio que precisa para cuidar-se. No site do MADA - Mulheres que Amam Demais Anônimas (grupomada.com.br) você pode encontrar textos, livros, casos e apoio, além dos endereços das reuniões do grupo em sua cidade.  Também o apoio de um (a) psicólogo (a) é uma ferramenta poderosa. Alimentar a autoestima, aprender a trabalhar os próprios medos e se valorizar mais são habilidades que poderá trabalhar na terapia, melhorando sua qualidade de vida. Se você não está contente com a maneira como está vivendo, se o sofrimento tem sido seu companheiro, busque ajuda, pois você pode e merece ser mais feliz. Seja qual for a maneira, o importante é aprender a amar (demais) a pessoa mais importante de sua vida: VOCÊ MESMA!

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