Incontáveis livros, muitos
manuais, artigos na internet com dicas, capas de revistas tratando do tema. Que
mulheres amam demais quase todo mundo sabe, mas porque isso acontece e como
evitar ser engolido pelo amor por outra pessoa?
Quem não conhece um caso de uma
mulher – parente, amiga, conhecida – que penou na mão de um amor? Quem nunca
ajudou uma amiga desiludida, em prantos por um caso amoroso mal sucedido? E
quantos homens vemos nessa mesma situação? Mas porque essa diferença?
Já dizia uma avó de uma grande
amiga quando nascia uma menina na família: “Coitada, mais uma mulher para
sofrer na vida”. Parece que mulher nasceu mesmo pra sofrer; as pessoas estão
acostumadas a ver mulheres sofrendo.
Vivemos em uma sociedade que desde criança ensina a mulher a ceder, a
abdicar, a servir, ser recatada, a perdoar, a cuidar, resolver as diferenças na
conversa, e se nada der certo: “Chora filha, que faz bem... Vai passar”. Como
dizia a música: “Amélia é que era mulher de verdade”. São nossas mães, avós,
nossas matriarcas que tanto cederam e serviram.
E aos homens o que é ensinado?
Coragem, não ceder, lutar pelo seu espaço, brigar, não levar desaforo pra casa,
ser competitivo, impor, não chorar, aproveitar a vida, “pegar todas”... “É da
natureza do homem” dizem muitos.
Sofremos mais porque apesar da
mulher do século XXI estar mudando financeiramente, sexualmente e socialmente,
lá no íntimo ainda vivemos do conto de fadas, somos ensinadas que o sofrimento
é normal, que amar é sofrer. Ainda achamos que não dá pra ser feliz sem o
outro, sem casar, sem ter filhos, sem ter alguém de quem cuidar. Felicidade =
servir e cuidar. Não é a toa que as profissões onde o “cuidar” é exercido como
psicologia, enfermagem, fisioterapia e serviços social são dominadas por
mulheres. Ainda acreditamos que podemos salvar o mundo, os cônjuges, que vamos
consertar até o mais terrível mulherengo, o alcoolista, o dependente químico. E
quando as coisas não dão certo, apesar de termos cedido e tentado o máximo;
quando abandonadas, traídas ou desiludidas pensamos que a culpa de tudo deve
ter sido nossa, que não tivemos paciência suficiente, que não éramos boas,
bonitas ou competentes o bastante pra conseguir salvar nosso relacionamento ou
nosso ser amado.
Outra fonte desse pensamento,
além da educação que recebemos, é a baixa autoestima. Aquele sentimento de que
nenhuma outra pessoa pode lhe fazer feliz, a sensação de que se precisa do
outro para estar bem, o desespero de ficar sozinha. Se você sente-se assim, não
estranhe: a maioria das mulheres – e alguns homens também – sofre dessa
dependência afetiva do outro. Mas há solução: o cuidar de si mesma. Pode ser
através da dança, da arte, do esporte, da religião, dos estudos. Existem ainda
grupos de ajuda onde você pode encontrar o apoio que precisa para cuidar-se. No
site do MADA - Mulheres que Amam Demais Anônimas (grupomada.com.br) você pode
encontrar textos, livros, casos e apoio, além dos endereços das reuniões do
grupo em sua cidade. Também o apoio de
um (a) psicólogo (a) é uma ferramenta poderosa. Alimentar a autoestima,
aprender a trabalhar os próprios medos e se valorizar mais são habilidades que
poderá trabalhar na terapia, melhorando sua qualidade de vida. Se você não está
contente com a maneira como está vivendo, se o sofrimento tem sido seu
companheiro, busque ajuda, pois você pode e merece ser mais feliz. Seja qual
for a maneira, o importante é aprender a amar (demais) a pessoa mais importante
de sua vida: VOCÊ MESMA!

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